No próximo dia 25 de Junho, a literatura moçambicana ganhará destaque internacional com o lançamento do livro “As Coisas do Morto”, do poeta Francisco Guita Jr., na cidade de Berlim, Alemanha.
O evento terá lugar às 19h00, na “A Livraria”, um dos mais importantes espaços de promoção da literatura em língua portuguesa na capital alemã, e contará com a mediação de Luciana Rangel. A iniciativa representa um momento simbólico de celebração da cultura moçambicana além-fronteiras.
A obra As Coisas do Morto tem merecido amplo reconhecimento da crítica literária, tendo sido finalista do Prémio Mia Couto, do Prémio Oceanos e do Prémio Glória de Sant’Anna 2026, em Portugal. O livro confirma a maturidade literária de Francisco Guita Jr. e reforça a sua posição entre os mais relevantes autores da poesia contemporânea moçambicana.
Natural da província de Inhambane, Francisco Guita Jr. construiu uma sólida trajectória como escritor, professor de Língua Portuguesa e promotor cultural. A sua intervenção no panorama literário moçambicano remonta à década de 1980, quando fundou o jornal literário Xiphefo, publicação que reuniu escritores da sua geração e tornou-se um importante espaço de expressão artística durante os anos marcados pela Guerra Civil Moçambicana.
Ao longo de quase três décadas de actividade literária, o poeta publicou diversas obras e participou em várias antologias, desenvolvendo uma escrita marcada pela sensibilidade humana, pela reflexão sobre a memória e pela observação crítica das transformações sociais do país. A sua experiência como docente influenciou profundamente a sua relação com a linguagem, resultando numa poesia de grande densidade estética e emocional.
A realização deste lançamento em Berlim constitui também uma oportunidade para fortalecer o diálogo cultural entre Moçambique e a Europa, levando a voz da literatura moçambicana a novos leitores e reafirmando a importância da produção literária africana de língua portuguesa no cenário internacional.
Num dia em que Moçambique celebra a sua independência, a presença de Francisco Guita Jr. em Berlim surge como um testemunho da vitalidade da cultura moçambicana e da capacidade da literatura de atravessar fronteiras, preservando memórias, questionando realidades e aproximando povos através da palavra.
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