Terá lugar na Quinta-feira, dia 9 de Abril, pelas 18h00, no Instituto Guimarães Rosa (IGR), em Maputo, o lançamento do livro “O Rap como Arte e Filosofia: Cartografias Estéticas no Contexto Moçambicano”, do professor e escritor Daúde Amade. A obra será apresentada pelo editor Emílio Cossa e comentada pela artista Iveth.
Com 172 páginas, o livro está dividido em três partes: “As Origens do Hip-Hop em Moçambique”, “A Fundamentação Estética do Rap” e “Cartografias Estéticas do Rap Moçambicano”. Nesta última, Amade apresenta sete estudos sobre o rap moçambicano e os seus protagonistas, analisando obras como “Love of my life” (Sick-Brain), “Fizeste-me assim” (Drifa) e “Mulher Heroína” (Iveth). Amade estuda, ainda, as figuras de Duas Caras e Azagaia, além do subgénero horrorcore.
Segundo o autor, o livro combate a ideia de que a estética serve apenas para discutir as “belas-artes”. O objectivo é demonstrar que o conceito deve ser flexível o suficiente para incluir expressões que não seguem o modelo clássico ou ocidental. Daúde Amade afirma: “É uma cartografia em plano aberto, inacabada, assumidamente débil, de uma estética do rap — a disrupção às ordens do dia obedece a uma lógica símile à da arte e à da filosofia no rap, pois lhes é correspondente — mas também a do rap como pedagogia cultural crítica”.
O professor Júlio Chinguai, por sua vez, afirma que “a leitura proposta por Daúde reafirma, de forma sólida e rigorosa, que o rap não se limita a uma expressão artística periférica ou meramente musical, mas constitui-se como um espaço legítimo de produção filosófica e estética”.
Durante o lançamento, além de Iveth, os rappers Drifa, Fibra Óptica e Leccynista abrilhantarão o evento. “O Rap como Arte e Filosofia” sai pela colecção “Nossa Gente, Nossas Línguas”, da Gala-Gala Edições. O evento é de entrada livre.
Sobre o autor
Daúde Amade nasceu na cidade de
Maputo, em 1993. É ensaísta, às vezes contador de histórias e, outras vezes,
poeta. Estudou Filosofia e História na Universidade Pedagógica de Maputo e
Literatura Moçambicana na Universidade Eduardo Mondlane.
Foi distinguido com o 2.º Lugar no Prémio de Poesia
Gala-Gala (2020). Participou dos dois volumes da antologia “Um Natal
Experimental e Outros Contos” (Gala-Gala Edições, 2021 e 2022). Venceu, em 2025, o 8.º Prémio Literário Imprensa Nacional/Eugénio
Lisboa, com a sua obra “Rogilda, ou Breviário de Agonia”. Tem textos
dispersos e de variados géneros publicados em antologias, blogues e revistas em
Moçambique, Brasil e Portugal.

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