Avançar para o conteúdo principal

MAR E SOL



Finto o som da mosca, no ar da solidão
meio ao mar, no pôr-do-sol,
Eu, este insecto minúsculo
a decifrar aromas de sangue
dos nossos corpos ladeados
a contemplar a sombra estéril da manhã.
Ladeados, entre nós, Mar e Sol
nossa nuvem tão verosímil e insegura
neste verão que não nos chega a planta
das mãos e dos pés. Húmidos!
Cada suor eu trepo as águas, suavíssima,
escuto o mar e vejo os seus hemisférios
lá no fundo, o sol a despontar, Virgem Santíssima,
a descrever o fim de todos os seus mistérios
enquanto o mar invoca as suas ondas e o ar...
sopra, águas cristalinas, o vento vai abrindo
novos ares, novos alentos, ao belo mar
enquanto o sol mira, foca, do alto vai sentindo
o lustro que fita o planeta, tão pesadíssimo
fita ao mar, fita, lustro que vem do Altíssimo.

by: Jeconias Mocumbe e João Baptista

Mensagens populares deste blogue

Gibson João José vence a 17ª edição do Prémio Literário José Luís Peixoto

  Gibson João José, natural da província de Inhambane, Moçambique, foi um dos vencedores do Prémio Literário José Luís Peixoto em 2024, na categoria destinada a não naturais ou não residentes no concelho de Ponte de Sor. O escritor conquistou o prémio ex aequo com a obra Em Vogais, ao lado de Paulo Carvalho Ferreira (Barcelos), distinguido pela obra Almanaque dos dias ímpares. Para Gibson, “ter vencido o Prémio Literário José Luís Peixoto | 2024 constitui uma enorme satisfação e, talvez, um bom sinal para quem conquista o seu segundo prémio e está a dar os primeiros passos nesta jornada de incertezas”. Acrescenta, ainda, que esta vitória é "também um marco na literatura moçambicana, que, nestes últimos tempos, tem-se mostrado vibrante e promissora, com autores novos que, a cada dia, elevam o seu país além-fronteiras”.O Prémio Literário José Luís Peixoto é atribuído anualmente pela Câmara Municipal de de Sor em 2006, tendo a sua primeira edição ocorrido em 2007. Segundo a organiza...

Basta, Agualusa! - Ungulani Ba Ka Khosa

À  primeira perdoa-se, à  segunda tolera-se com alguma reticência , mas à  terceira, diz-se basta! E é  isso que digo ao Agualusa, escritor angolano que conheço  há mais de trinta anos. Sei, e já  tive oportunidade de o cumprimentar por lá, onde vive há anos num recanto bem idílico da Ilha de Moçambique; sei que tem escrito tranquilamente nessa nossa universalmente conhecida ilha; sei, e por lá passei (e fiquei desolado), que a trezentos metros da casa de pedra que hospeda Agualusa estendem-se os pobres e suburbanos bairros de macuti (cobertura das casas à base das folhas de palmeiras), com  crianças desnutridas, evidenciando carências  de gerações de desvalidos que nada beneficiaram com a independência de há 49 anos. Sei que essas pessoas carentes de tudo conhecem, nomeando, as poucas e influentes famílias moçambicanas que detém o lucrativo negócio das casas de pedra, mas deixam, na placitude dos dias, que os poderosos se banhem nas águas  d...

ARLINDO UAMUSSE ESTREIA-SE COM O PRIMOGÊNITO, UM LEGADO ALÉM DA POSIÇÃO

 A  Eth ale  Publishing  tem o  gosto  de  anunciar o lançamento do livro “ O PRIMOGÊNITO, UM LEGADO ALÉM DA POSI ÇÃO” ,  livro de estreia de  autoria de   Arlindo Uamusse .  Composto por  79  páginas,  a  obra, em género   literário  poético,  reúne  26  poemas.  O livro será apresentado pelo  Missio nário  Universitário Carlos Amós Zavala .  Conforme o autor,  “ O   PRIMOGÊNITO,   UM   LEGADO   ALÉM DA   POSI ÇÃO ”  “ é  um livro com forte tom poético e reflexivo, que aborda o papel e as responsabilidades do filho primogênito na família e na sociedade. O livro explora profundamente temas espirituais e históricos, entrelaçando figuras como o primogénito Caim, o Caçula A aquibel e a centralidade de Jesus Cristo na narrativa — reflectindo sobre o verdadeiro significado de ser o primeiro, não apenas por ordem de nascimento, mas pel...